Eu sinto raiva e o meu corpo ferve
Minha cabeça em parafuso
Roda implorando aos céus que pare de sentir qualquer coisa
Eu sinto raiva e ela me consome por inteiro
Raiva de tudo, dos homens, das coisas, do mundo
Eu sinto raiva de pequeno
De lembrar de coisas vãs
O tribunal das minúsculas causas
Eu sinto uma raiva insistente
Que faz doer meu estômago e me provoca ânsia
Eu sinto raiva
E ela inflama meu intestino
Não absorvo nutrientes não é por outra coisa...
Mas porque eu sinto raiva
Eu sinto tanta raiva que minha boca seca
Das palavras amargas que eu engulo sozinha
Eu sinto raiva de tudo que tenta me colocar aquém de onde eu possa existir
De tudo que me empurra pras beiras eu sinto raiva
De todos que escrevem meu nome na lama... Eu sinto tanta raiva
Um dia eu ainda vou explodir
De tanta raiva, tanto ódio, tanto rancor
Peço à Santa com fervor:
que os meus estilhaços provoquem feridas incuráveis em quem acha que pode domar essa fera
Esse sentimento absurdo que cresce aqui dentro
Repetidamente eu faço questão de alimentar
Pra que um dia o mundo se acabe
E eu me acabe também
E dos destroços da raiva surja uma pequena flor malcheirosa na qual as moscas vem sentar
E as moscas saiam espalhando seu pólen e colocando ovinhos por aí
Compostos de merda, sangue, saliva e raiva
Muita raiva pra aguentar o fim do mundo
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