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raiva

Eu sinto raiva e o meu corpo ferve Minha cabeça em parafuso  Roda implorando aos céus que pare de sentir qualquer coisa Eu sinto raiva e ela me consome por inteiro Raiva de tudo, dos homens, das coisas, do mundo Eu sinto raiva de pequeno  De lembrar de coisas vãs O tribunal das minúsculas causas  Eu sinto uma raiva insistente  Que faz doer meu estômago e me provoca ânsia  Eu sinto raiva E ela inflama meu intestino Não absorvo nutrientes não é por outra coisa... Mas porque eu sinto raiva  Eu sinto tanta raiva que minha boca seca Das palavras amargas que eu engulo sozinha Eu sinto raiva de tudo que tenta me colocar aquém de onde eu possa existir  De tudo que me empurra pras beiras eu sinto raiva De todos que escrevem meu nome na lama... Eu sinto tanta raiva Um dia eu ainda vou explodir  De tanta raiva, tanto ódio, tanto rancor Peço à Santa com fervor: que os meus estilhaços provoquem feridas incuráveis em quem acha que pode domar essa fera Esse sent...

Ecossistema

Há entre os izar certa cumplicidade. Todos sabem quem são os  izar . Eles andam por aí imponentes, com suas línguas gigantes, eles nunca se escondem. Todos sabem as merdas que eles dizem. Todos sabem e alguns não lhes dão créditos, mas ninguém... Repito: NINGUÉM, os repreende. Porque só quem os escuta são exatamente outros izar .  Há entre os  izar também uma espécie de distinção. De escolher quem é válido. São eles que ditam isso. Os izar escolhem entre os insetos aqueles que devem viver e aqueles que devem morrer. Mas eles não são tão poderosos nem tão ousados para matar indistintamente. Então eles matam como podem: vão minando pouco os espaços existentes. Escolhem um ninho para invadir e matar. Pronto, alguns insetos já eram. Mas eles continuam andando por aí com sua língua quilométrica...  Mal sabem eles que os insetos existem em espaços minúsculos que eles nunca vão conseguir entrar. Há entre os izar e os insetos um abismo de tamanho e quantidade. Insetos co...
finjo finjo sensatez, estupidez, raiva e aporrinhação sinceridade, justiça, lealdade,  argumentação e justificativas finjo saber e incerteza surrealismo, mentira e irrealidade finjo tudo como se tudo fizesse parte e ser fosse exatamente assim parem! estacionem a minha cabeça no meio fio com o tempo ela será arrastada pela chuva e entupirá bueiros: mais lixo da cidade lixo gente que pensa reflete raciocina e não faz nada raciona a cota de felicidade diária pra fingir ser feliz todo dia eu preciso de sossego pra minha mente mas isso é ela que deveria me dar ela corre corre corre e não acompanha o mundo eu estagno, me fixo raiz fina e fraca que se quebra facilmente não pertenço a lugar nenhum terra nenhuma me cultiva floresço no deserto, fora da areia no ar voo, plano, pairo  ensoberbeço  quero sair daqui e ir para algum lugar para onde? onde não caibo, não me encaixo, não cresço, mas permaneço sem saber por quê se...

considerações sobre tudo, qualquer coisa e um pouco mais

o meu corpo de mulher desfalece morro a cada sussurro das vozes que desconheço cortam-me os toques de mãos ásperas reajo à servidão e escravizo-me . faço-me pensar que não posso existir se pudesse, não doeria . ouço as pessoas conversando em corredores elas falam de algo que eu não sei o que é . sinto-me constantemente lesada e não me oponho a isso como me opor a mim mesma? . sinto falta de tudo que um dia já esperei e me desespero pela falta imensa . esquartejada, faço-me caber num lugar que não é meu . ocupo espaços inadequados há tanto tempo... há sempre algo que eu possa tirar de mim