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Ecossistema

Há entre os izar certa cumplicidade. Todos sabem quem são os izar. Eles andam por aí imponentes, com suas línguas gigantes, eles nunca se escondem. Todos sabem as merdas que eles dizem. Todos sabem e alguns não lhes dão créditos, mas ninguém... Repito: NINGUÉM, os repreende. Porque só quem os escuta são exatamente outros izar

Há entre os izar também uma espécie de distinção. De escolher quem é válido. São eles que ditam isso. Os izar escolhem entre os insetos aqueles que devem viver e aqueles que devem morrer. Mas eles não são tão poderosos nem tão ousados para matar indistintamente. Então eles matam como podem: vão minando pouco os espaços existentes. Escolhem um ninho para invadir e matar. Pronto, alguns insetos já eram. Mas eles continuam andando por aí com sua língua quilométrica... 

Mal sabem eles que os insetos existem em espaços minúsculos que eles nunca vão conseguir entrar. Há entre os izar e os insetos um abismo de tamanho e quantidade. Insetos constroem ninhos. Embora alguns ainda andem solitários por aí (mesmo que isso os coloque em maior perigo, também é uma estratégia de sobrevivência), a natureza não os fez sem uma arma. E mesmo se tivesse feito, os insetos construiriam armas potentes para se defender. Eles tem certas quantidades de veneno que injetam numa única picada. O focinho de um izar é bem sensível. E a mandíbula de um inseto costuma ser bem forte. E é justamente quando ele chega perto que ele está mais vulnerável.

O izar acha que é Deus e aponta seu dedo podre na direção dos insetos. Só há uma forma dos insetos escaparem do dedo podre do izar: criando submundos. Explodir o mundo onde vivem os izar e os abandonar sozinhos à sua própria sorte é a única estratégia de sobrevivência dos insetos. Caminhos de formiga, casas de cupim, ninhos de vespa, colméias, casulos, são todos espaços possíveis onde os izar não podem existir. 

Se engana quem acha que vários izar vivendo juntos se fortalecem. Apesar de ouvirem uns aos outros, todos os izar, invevitavelmente tem mania de grandeza. Eles não suportam nem pensar que podem ser pequenos como os insetos que eles tentam devorar. Ser pequeno, pra um izar, é ser um inseto. E isso eles não suportam. Muitos izar juntos tendem a se destruir pouco a pouco. Eles matam uns outros como jibóias, enrolando o próximo na sua imensa língua e sufocando sem compaixão. 

Os izar sempre vão existir. Os insetos também. Dificilmente um inseto conseguiria destruir um izar. Não é do seu feitio... Mas os insetos, juntos, constroem mundos melhores de se viver. Os izar, juntos, destroem o único mundo que eles podem existir.

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